Há como assumir o inevitável.
Há como desdenhar do infinito.
Há como desdentar o eterno.
Ou iludir a morte (com artimanhas vivas).
E reduzir suas mandíbulas funéreas
a horas vulneráveis.
(Desde que não vulneralize-se).
Não há como mais.
Há sempre sim. Ou não.
Há, então, portanto.
Há energúmenos de mais sobretudo.
Há diásporas pipocando (no pátio
do mosteiro do condado).
Há enguias sobrando.
E enganos no ar. E antúrios morrendo.
Há pássaros podres.
Há colmeias sem mal.
E volúpias sem sal.
Há velocímetros doentes.
E hostes macambúzias defronte.
Há sim e não há.
Há sempre e nunca.
Há somas de menos.
Há zeros de menos também.
Há salmos e cuspes. Lousas e podres.
Há cismas e repelentes.
Há ângulos de náuseas.
E geometrias bêbadas
aos montes em bares triangulares.
Há símbolos apodrecendo.
E imagens estupradas.
Há sinos lassos e sons líquidos.
Há sêmens puros e unções loucas.
Há tremas suspensos
hífens escassos e latas de palha.
Há sede e incenso.
Há pobres em excesso
e fedor político (na pobre cena pátria).
Há menos nus e mais pentelhos.
(O pentelho é cabelo absoluto).
Há hás de mais. (Eu acho é pouco).
Há uns e não há outros também.
Há somas e edemas.
Há, sim, não.
Há então.
Há reses na pista
e vísceras nos vidros
meses no rosto
e rumos no mapa.
Há situações sem data
e seduções em falta.
Há ausência de espírito.
Há demasia de corpos.
E desmesura de almas.
Há enquantos e desdes
mas faltam entantos.
No entanto, não adianta nada quando.
Nada é tudo. Afinal.
Há enquantos e nuncas sobrando
dentro do momento nu.
Há comunicação onde?
É o que prova a poesia absoluta.
Há hás, vário há... há...
Há e não há. Dialética há.
A realidade é e não é.
O sopro é de barro e está.
se expandindo a olhos nunca vistos.
Há cisnes sobrando
e sua sombra de ágata branca.
Há raiva de sobra e piedade em falta.
Não há porquês. Há depois.
Já não há quandos.
Só há ondes anônimos.
Não há mais como
desistir de não ser.
Não há mais como ser (menos).






