Eis a palavra que profetas abandonaram
migalhas de desertas bodas de areia e tempo
nuas lamentações e infieis dos seres.
Impreca temporal contra a face
a chuva contra brisa
e sermão de fogo acende olho.
Se antecipas passos
poços abrem-se em teu rosto
(e círculos fecham-te a alma).
Se escapas do circuito dos desejos
morres no meio da insatisfeita veia
da realidade ímpia
do covil das coisas nuas viverás
a estertorar nos braços das letras mortas.
Dos caos do nada tombarás nos cálculos
e os pós da noite hão de devorar-te (como hienas a rins).
Não se trata de lapso ou hiato
entre o inorgânico e o surreal
apenas o absoluto intrometido
entre as palavras da realidade banal.






