Espere, leitora voraz, a cada hora
irromper a desmemória, a navalha
o breviário da espada, a loucura da palavra
espere outra aurora de ira e usura
o galope das debêntures, os ágios ágeis
desembestados na hara bursátil de sempre
porém há um reino escuro e irredento
que títeres monetários não arrepanham
aquele em que vigore a magia do id
o que a máscara do ego esconde
e que poema escandido teme desalozar
de seu tugúrio longo e curvo
e tudo fica como está porque é assim
porque não há vir a ser
só que era é (e será assim assado) até
tudo num vento esvair-se
como o rosto
e ficar o pó
porque é eterno.






