Abraão alérgico ao pó prometido de Canaã
desistiu do sonho errante
e foi ser copeiro em Ur.
(A Torre de Babel (de papel?) continuou
a erguer-se (da pena e do pranto artesão)
os edifícios do céu choraram
suas quânticas lâminas (vítreas e cruas)
eletrocutaram anjos).
A Abraão incomodava
segundo seu irmão Aarão os “as” do nome
além de fios de feno fenício
excesso de pedregulhos dos pés
e futuros fungos púnicos.
Ele tinha cartaginesa certeza de existir
(embora anacronicamente se perdoasse).
Pois é hábito do escriba mesclar
sensações histéricas a aventuras da palavra.
Abraão então passou a crer no “a”
ajustou as pálpebras contra pedras
achou seu destino bíblico no poema.
(Embora não gostasse).






