06
Seg, Abr

destaques
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Espere, leitora voraz, a cada hora

irromper a desmemória, a navalha

o breviário da espada, a loucura da palavra

espere outra aurora de ira e usura

o galope das debêntures, os ágios ágeis

desembestados na hara bursátil de sempre

porém há um reino escuro e irredento

que títeres monetários não arrepanham

aquele em que vigore a magia do id

o que a máscara do ego esconde

e que poema escandido teme desalozar

de seu tugúrio longo e curvo

e tudo fica como está porque é assim

porque não há vir a ser

só que era é (e será assim assado) até

tudo num vento esvair-se

como o rosto

e ficar o pó

porque é eterno.

 

Murilo Gun

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