VCA
Mallarmé apenas quis, dispôs-se a poetizar com sons verbais significativos, silábicos vitais sem significação aparente e direta indomesticável que era.
Montar sintagmas novos, vivos, com sons (ósseos ou alados) que fossem independentes das coisas reais (comuns) matematicamente exatas, aritmeticamente mensuradas. Sem a necessária prosaica relação referencial com o mundo ordinário, alienado, visível aparente, simulacrado.
Não que se pretenda desfalcar o time do significado, extrair-lhe a capacidade linguística, pasteurizar o sentido.
Apenas transportar a palavra (o sentido, para fora do âmbito rigoroso da significação objetiva, autoritária, imperativa categoricamente) do mundo corrente – e do leitor corrente, comum – para o reino (etéreo, inefável, indizível) do poético, com suas próprias leis de ser (ininteligível para os néscios leitores vãos).
A música da significação feita de sons verbais (e autônomos, isto é, autointeligentes) é o desiderato, a épura da poesia pura. O destino da palavra poética no século 21 (êmula da palavra religiosa).






