Desertos espaços sem nome ou corpo erravam
quando ainda nenhum deus tinha sido criado
do caos, reinava o inaudito, a incerteza plena
absoluto vazio e abismos puros pairavam
(império insolúvel, elétrons dissociando-se
em violenta catálise
íons sem ventre, cátions utópicos)
do rosto do nada, ao léu do acaso das coisas
sem alento, sopro criador de deuses
não exalara (nem ao menos cogitara)
tudo estava suspenso num vidro cínico
(das bactérias apenas tênue espasmos
ouvia-se do fim da eternidade úmida).






