O sublime é imortal
Sobre cadáver de bálsamo
pedras de pranto derrames
lume deites dum vaso d’aroma noturno
com desejos de incêndio untes
sal de antúrio
com ânsias de lince
rondes coração escuro mas
não desistas do nome em prol do trânsito
alma entregues a caprichos do id
sintas culpa do corpo, pecados bebas a copos
gota de cânhamo asperjas
deixes que uive a linhagem
(nunca esqueças que da palavra veio o mundo
e Deus é o veio do verbo que modelas).
Oceano Atlântico, 2010
(à beira da Mauritânia)
(poema recomposto num cais de Funchal
ante lençóis de bacalhaus pequenos
estendidos em fileiras nuas marítimas
após três tragos e meio de absinto luso
(a 80 graus) e uma poncha).






