Imposições morais decupam gostos
crimes retóricos crucificam códigos
imprecações bancárias infelicitam credos
desnudamentos do ventre alagam mercados
pairam sobre estacionamentos luvas módicas
pausas céticas desvendam intervalos puros
imobilizam bolsas humores engravatados
param trens folhetins diários
lavram cruzes coveiros entediados
prosperam ramificações de escaninhos
nas portarias de ministérios imorais
alimentam insônias imposições rurais
leilões venais enriquecem o erário
cremes retóricos torcem argumentos de manteiga.
Acrópoles agonizando gritam enquanto chameja sangue
dos pátios e velas dos claustros
gemem pórticos, arcanjos escapam
dos sarcófagos pelas ameias fúnebres
bátegas de ruas esquartejam o trânsito
ratos apodrecidos reis incineram
ratos deveram capitães de naves
faustoso traseiro das mansões azuis borra-se
quando magnatas degenerados comemoram
elevação dos índices da miséria global
absoluta pobreza campeia, juros sobem
como foguetes do Cabo Canaveral da Wall Street
triunfam injúrias, injustiça vende-se
a cada esquina tribunais de nojo afagam-se
o pranto das togas é de níquel barato
velozes ralos da infâmia rolam
e nobrezas dão os braços a esgotos.






