06
Seg, Abr

destaques
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A poesia expõe a medula da palavra

extrai da sílaba sua luz óssea

o fêmur de cada vocábulo fratura

para sua físsil nuance multiplicar

a clavícula de cada vogal, o músculo verbal a poesia

na bandeja da página coloca

mesa de cirurgia filológica

às sombras, às claras, o que seja

ela o faz por piedade a Hermes

o condutor do sentido órfico e da musa

que enlouquece poetas e os desvia do sentimento sentido.

 

A poesia fornica com a essência vocabular, dicionárica

Chupa o sêmen do verbo, engole imo, é

Crépula e ímpeto de palavra desregrando-se

Adentra o hímen do significado, o lambe e ensaliva sempre.

 

Asfódelos florescem

do horto (úmido meandro secreto) da alma

como navalhas

                        escanhoando o céu do verbo

a deflorar espessa aura o falo

da palavra adentra

o hímen da página.

 

Murilo Gun

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