06
Seg, Abr

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A poesia, o modo de fazê-la varia a cada época.

            A poesia moderna (tão pouco praticada, sua ação exercida tão palidamente entre nós) foi um fenômeno mundial, de súbito chegou com a revolução da pintura (Picasso, Dali, Matisse, Kandinsky) e prosperou imensamente, respingando no Brasil.

            Apareceu no fim do século XX, (embora desde Rimbaud, Baudelaire, Mallarmé e L’Autréamont) e segue representada pela evolução lenta, não mais revolução, como fora, Brasil afora com pequenez exemplar.

            Porém, fundas marcas deixou no meu poema sem lírio, em minha palavra enlouquecida.

            A poesia moderna (a que hoje vige no mundo, à exceção do Brasil, raríssimas exceções) encontrou sua forma no verso livre – vindo do velho e legendário Whitman - (como o id que Freud liberou) – e poderia ter sido diferente. O que torna muito mais complexo o problema da forma (o que ainda não se resolveu no Brasil, infelizmente, não para mim, que resolvi, desde Título provisório, em 1979).

            Questão que tem despertado polêmicas e adicionado desencontros, dificultando a expressão brasileira da melhor poesia moderna e sua expansão até o Chuí. O congelamento da poesia brasileira anacrônica desta época se deve à não aceitação da forma do verso livre, que a dispusesse a expressar não  o ego soberbo e romântico, mas o id descomunal, e saísse assim a nossa poesia sacrificada da potência (capacidade de expressão) ao ato da poesia neoposmoderna. Da condição subjetiva à objetivação plena.

            Poema é a afirmação (ou negação, tanto faz) de algo inesperado, súbito acaso dado de pronto, flash relâmpago mental (como o haicai de Osman Holanda ou Cloves Marques).

            É o silêncio sublimado pelo sal da palavra oferecida em holocausto no altar do sentido, quando onde lenhos hermenêuticos a incineram.

            A lógica poética moderna é ambígua, dialética, é a lógica do inconsciente, lógica quântica.

            O poeta não é mais sonhador, à Machado (linguagem romântica), mas um fazedor à Borges.

            Emoção e razão foram exiladas do moderno poema. Sentimento e sentido do sentimento são nocivos à poesia (que exige poeta de alma seca, para que a mão não trema e desgrace o poema). Tudo isso emotivo ou sentimento vulgar não tem sentido em poesia absoluta.

            Se você tem algo a dizer, a explicar, descrever, a mandar (como uma mensagem), se você quiser passar recado, lição (de moral ou não), expresse-se (expresse a si mesmo assim), porém não em poesia, mas em prosa (que é para dizer algo qualquer a outro ou a si mesmo), o que é mais rápido e efetivo, consequente e de melhor resultado.

            Que o faça transformando prosa em versos metrificados, etc, infelizmente é possível. É poema, sim, fisicamente, mas não é poesia!

Murilo Gun

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