Aranhas capinam na teia
corpo, entranha, avulsa presa
que na cela do anímico tecido
se esgueira.
Asperge vínculos de saliva
fios curva sobre seios
indefesos da sedosa vítima.
Vítimas que no cárcere de lá estrilam
(pegajosa masmorra translúcida, renda gótica astuta)
contra laços de aço que as vitimam.
Aranha solene imola selos
arregimenta pelos e enlaces
cospe ávida fiação que rearranja
em concêntricos elos cristalinos
tocaia trêmulos disfarces
semeia adeuses tenazes
frágeis sigilos elabora
em sua convulsa arquitetura
(que no silêncio flutua
aéreo labirinto
ou suspensa colmeia, mortalha poliédrica).
Com tênues geometrias tenta
intestinas conquistas.
Em seus fusos conta
etérea história do mundo
aranha
celeuma de teia e chama
Atena tecelã centrípeta
deposita topázios exatos
no véu iluso da vida.
Em louvor à lua aranhas
depõem ovos na rua
pérolas úmidas de olhar vândalo
alumínio lança composição salívica
entre metais e semanas seminais
até que linho mortal coagule-se
ou macule caleidoscópios semestrais.
Que finas filosofias torvos sofismas
que sorvos de frios argumentos
salivam aranhas (do púlpito da mucosa)
com teses, fios, fusos
e lentas metafísicas?
E pinças retóricas brandem
contra prolegômenos exangues?
Tramas do abdome argumento das aranhas
que violentas e precisas amparam suas presas
com mandíbulas e lentas quelíceras
e desvelos de saliva japonesa
e dentes sisos abertos em copas
a par de suas úmidas vitórias.






