Vi os adornos do martírio
rubis da dor soando no silêncio triste
da haste em que cravos vivem
entre suores de safira vi
suspiros de opala abolindo-se
entre gritos de ônix
(e cinzas de fênix).
Sua agonia era de grega nua
atônito vi o triunfo do agônico
o afã da morte vencer
a vida rebelada
e o Ser dos túmulos fulgurar
após alegria dos velórios tortos.
Trevas à morte insossegada
d’Inês d’Castro
a que foi rainha
depois de morta
e sepultada sob palavras.
Lirismo erótico
das cantigas d’amor trovadorescas
me comove
mas não me rejeites
nem a inferno d’amores me condenes.






