O poema absoluto é chato ou, melhor, é sádico. Porque institui expressões nunca vistas, o que exige exaustão do leitor. Ou interesse do espírito em galgar aquele paredão incompreensível. E ganhar o troféu da incompreensão poética.
Se o texto for típico e preciso, previsível, imediato, sem surpresas ou aventura, sem complicação nenhuma, enfim... não há o que completar – de parte do pobre e probo leitor, não há o que vasculhar – nada de polifônico ou de polissentido - (tudo está petrificado num sentido só)... então a leitura é passiva, obediente, superficial.
Se o poeta nada diz, porém prediz, não informa, mas sugere, não aponta, mas enfatiza, via ênfase de um oximoro ou o valor de uma ambivalência, o leitor desaponta ou investe na investigação, graças ao método dificultado do poema absoluto.
Não se limite a liberdade do leitor em imergir no complexo, completa ou se subsidia o texto com sua livre imaginação – e por sua própria conta (podendo ir além do poeta etc).
Observe: o poeta – no poema – limita a liberdade do leitor de completar, entender, destrinchar fácil e comodamente o texto... e de imediato mastigar e digerir duma bocada só todo o poema. À indigestão poética do leitor, o poema absoluto.
O poeta absoluto se empenha em bem manipular a consciência e dificultar o entendimento normal do leitor. Veja o livro Da dificuldade (não traduzido ao português) do crítico francês Maurice Blanchot (recentemente falecido).






