06
Seg, Abr

destaques
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Há como assumir o inevitável.

Há como desdenhar do infinito.

Há como desdentar o eterno.

Ou iludir a morte (com artimanhas vivas).

E reduzir suas mandíbulas funéreas  

a horas vulneráveis.

(Desde que não vulneralize-se).

Não há como mais.

Há sempre sim. Ou não.

Há, então, portanto.

Há energúmenos de mais sobretudo.

Há diásporas pipocando (no pátio

do mosteiro do condado).

Há enguias sobrando.

E enganos no ar. E antúrios morrendo.

Há pássaros podres.

Há colmeias sem mal.

E volúpias sem sal.

Há velocímetros doentes.

E hostes macambúzias defronte.

Há sim e não há.

Há sempre e nunca.

Há somas de menos.

Há zeros de menos também.

Há salmos e cuspes. Lousas e podres.

Há cismas e repelentes.

Há ângulos de náuseas.

E geometrias bêbadas

aos montes em bares triangulares.

Há símbolos apodrecendo.

E imagens estupradas.

Há sinos lassos e sons líquidos.

Há sêmens puros e unções loucas.

Há tremas suspensos

hífens escassos e latas de palha.

Há sede e incenso.

Há pobres em excesso

e fedor político (na pobre cena pátria).

Há menos nus e mais pentelhos.

(O pentelho é cabelo absoluto).

Há hás de mais. (Eu acho é pouco).

Há uns e não há outros também.

Há somas e edemas.

Há, sim, não.

Há então.

Há reses na pista

e vísceras nos vidros

meses no rosto

e rumos no mapa.

Há situações sem data

e seduções em falta.

Há ausência de espírito.

Há demasia de corpos.

E desmesura de almas.  

  

Há enquantos e desdes

mas faltam entantos.

 

No entanto, não adianta nada quando.

 

Nada é tudo. Afinal.

 

Há enquantos e nuncas sobrando

dentro do momento nu.

 

Há comunicação onde?

É o que prova a poesia absoluta.

 

Há hás, vário há... há...

 

Há e não há. Dialética há.

A realidade é e não é.

O sopro é de barro e está.

se expandindo a olhos nunca vistos.

 

Há cisnes sobrando

e sua sombra de ágata branca.

Há raiva de sobra e piedade em falta.

Não há porquês. Há depois.

Já não há quandos.

Só há ondes anônimos.

Não há mais como

desistir de não ser.

Não há mais como ser (menos).

Murilo Gun

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