06
Seg, Abr

destaques
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Rápidas ou calmas, céleres ou lentas

apressadas e breves palavras

não voam mas pesam

mais que lajes ou relógios leves

(moles como os espanhois)

ou viris como os de Perse

franceses como albatrozes

lassos como os de Ulisses).

 

Soam como horas que cuco espouca

(com sua cantata anafórica)

ou como chapanhe que amante dedilhe

na corda do próprio mamilo

derramando-se da tecla cárnea e funda

do volúvel umbigo da amada

para racha originária

em corredeira de língua, limbo em riste

que boca encobre

de lauta saliva, eslava, lasciva.

 

Alado peso o da palavra

lavoura, idílio, silo, manteiga de vulva

safra extática de volúpia

anelo de lua, voragem, frêmito de nádega oblonga

unguento macio de gozo da vertigem do coito

cópula de linho com nudez vestida de mulher

lume e fêmeo lampejo, verbo de peso

carne nua e solfejo

rosa de lábio e visão dupla

de púbis a seio.

 

Após a caligem, a voragem, o granizo

vêm a greda e o peso

da palavra estrela

em êxtase aceso.

 

Não antes avalisar

o peso (decerto) da lousa (líquido)

sem o contrapeso do sopro

o fogo do láudano (a ideia de Heráclito)

a cegueira do dicionário, o salto

de qualidade da fogueira

ou do lince dialético

amado e coisa amada (se amado, se amada)

repelem-se e se completam (na cópula ou no coito).

Sob peso da palavra ferro e rumor

carvão e aurora, êxtase e temor

eu me desvendo, me desnudo, me doo ao vento mudo

 

eu ardo ao rigor

da têmpera do verbo amor.

 

Murilo Gun

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