06
Seg, Abr

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Vital Corrêa de Araújo é um poeta complexo que não se deixa aprisionar nem mesmo pela contingência de ser moderno.

Basta lembrar que o termo moderno designava, na idade média, autores contemporâneos vivos, ou se mortos, que influenciavam aquela época.

 Na atualidade, quantos autores não estão presos a um discurso estagnado de regras gramaticais e semânticas, alinhados a convenções rímicas, métricas, estilísticas e conceituais, concretamente engajados à tradição que trancafiou nos porões do arbitrário a expressão livre, portanto, sublime da poesia.

Poesia não é meio de; ou mensagem para; não escrevo para leitor fácil; minha poesia é tudo, menos edificante; minha poesia é para os não-habituados, para os habituados, não é poesia; se o leitor me entender, me derrota. Estas são algumas chaves que encontramos na obra de VCA, e que o torna o São João Batista anunciando no deserto, o evangelho da poesia absoluta.

O que é poesia absoluta? O poeta (absoluto) e professor de literatura da FAMASUL, Admmauro Gommes, afirma que: a percepção que se tem das coisas no seu estado de essência que nos provoca deslumbramento indefinido e indecifrável e que não se traduz. Somente pelos estados sensitivos da emoção e dos sentimentos é que se pode induzir e insinuar através de combinações complexas entre as palavras. Desta forma, a melhor maneira de se entender a Poesia Absoluta (PA), que é intraduzível por natureza, como a mais profunda emoção, é contemplar os elementos impalpáveis que se revelam pela metáfora, não o seu entendimento completo, mas pela percepção e sensibilidade poética altamente aguçadas.

O próprio VCA conclui: ao nível consciente, a ligação palavra (nome) e objeto ou mundo ou relação necessária (e lógica), entre realidade e linguagem, se estabelecem ou são estabelecidas via prosa. A via poética funciona noutro nível, no campo do id (ou o que seja). A representação (servil, fisicalista) do mundo com absoluto rigor não interessa à poesia absoluta.

Não é o fato do mundo existir – e sim o modo como ele existe, a partir da forma (lógica ou não) como é expressa tal existência, que dá origem ou possibilita a experiência da poesia absoluta. Ainda, o poeta e Douto Professor da UFPE, Carlos Newton Júnior (2013) expõe: “Se nenhuma obra poética de qualidade – nenhuma obra de arte, diríamos melhor – pode ser dissecada friamente, como se faz a um cadáver, a poesia de Vital Corrêa de Araújo parece-nos assim, não se submeter nem mesmo àquela serena e racional contemplação que se poderia ter diante de um “paciente anestesiado sobre a mesa”: deve ser perscrutada na sua dinâmica de organismo em movimento e permanente transformação, o  que  nos  leva  também  a  conclusão  de que  as afirmações sobre essa obra não podem nem sequer recender àquele perfume perigosamente agradável de coisa definitiva.”

Poderíamos chamar ainda à colação, Sébastien Joachim, que dispara: “Vital intenta matar o significado...” ou César Leal: “Vital Corrêa é o poeta com maior domínio do versolibrismo na poesia contemporânea...” Mas, minha abordagem será a de um leitor impróprio a VCA, porque ainda não o abandonou em sua práxis, enlouquecida e absoluta. 

TRECHO DO TEXTO DA PALESTRA DE ROGÉRIO GENEROSO, PRESIDENTE DO CENTRO CULTURAL VCA, NA BIENAL, ORGANIZADO PELO DINÂMICO JOSÉ ALVENTINO, QUE RENDE OS DESAFIOS DA BATALHA DO LIVRO PELO BEM DO BRASIL. ALVENTIVO E VCA TRABALHARAM JUNTOS POR 30 ANOS

 

Murilo Gun

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