06
Seg, Abr

destaques
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À nadidade de tudo

à inutidade do desuso

à vaga quintessência do humano

ao vácuo que Deus deixou atrás de Si

a prosperar como a treva

que se crava no olho do homem

ao vazio que (a)o homem alimenta

(com arrogância e perícia)

à vacância absoluta que nos racha

à suspensão do íntimo (ou sua publicação)

ao tehon o vastíssimo

abismo do nada

em que sepultamos o ânimo

em que mergulhamos a alma

ao nada e a seus predicados ínclitos

ao eterno vazio do ser

a mim (então).

 

Não o ilumina lume do músculo

os traços do rosto tornam-se líquidos

(pois a infidelidade espreita brutos)

despedaça as tábuas do instante o peso do tempo

desembarcam nos dunquerques de Bizâncio títeres

a urnas fúnebres dedica cinzas

ao intestino íntimo entrega

sílabas de fúria

e júbilos colhe

da safra de penumbras

e gregos loucos empunha como verbo.

 

 

 

Murilo Gun

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