Temíamos
que voz da claridade
despertasse nosso êxtase
que ácidos do amanhecer dissolvessem
paz selvagem
que como ópio nos consumia
e nos possuía como demônio.
Temíamos
que ardor nos abandonasse
batido pelos gritos
abertos da manhã
que heréticas lâminas do dia
dilacerassem
comunhão de nossas carnes
e que mão do amanhecer retirasse
do corpo desta noite
a cal da eternidade.
Temíamos
que sol queimasse
toda a memória
e não se plantasse
em cada ser
a cicatriz do outro.






