Rápidas ou calmas, céleres ou lentas
apressadas e breves palavras
não voam mas pesam
mais que lajes ou relógios leves
(moles como os espanhois)
ou viris como os de Perse
franceses como albatrozes
lassos como os de Ulisses).
Soam como horas que cuco espouca
(com sua cantata anafórica)
ou como chapanhe que amante dedilhe
na corda do próprio mamilo
derramando-se da tecla cárnea e funda
do volúvel umbigo da amada
para racha originária
em corredeira de língua, limbo em riste
que boca encobre
de lauta saliva, eslava, lasciva.
Alado peso o da palavra
lavoura, idílio, silo, manteiga de vulva
safra extática de volúpia
anelo de lua, voragem, frêmito de nádega oblonga
unguento macio de gozo da vertigem do coito
cópula de linho com nudez vestida de mulher
lume e fêmeo lampejo, verbo de peso
carne nua e solfejo
rosa de lábio e visão dupla
de púbis a seio.
Após a caligem, a voragem, o granizo
vêm a greda e o peso
da palavra estrela
em êxtase aceso.
Não antes avalisar
o peso (decerto) da lousa (líquido)
sem o contrapeso do sopro
o fogo do láudano (a ideia de Heráclito)
a cegueira do dicionário, o salto
de qualidade da fogueira
ou do lince dialético
amado e coisa amada (se amado, se amada)
repelem-se e se completam (na cópula ou no coito).
Sob peso da palavra ferro e rumor
carvão e aurora, êxtase e temor
eu me desvendo, me desnudo, me doo ao vento mudo
eu ardo ao rigor
da têmpera do verbo amor.






