Interroga as grades, editais de nervuras de ferro
espalha nos átrios das últimas catedrais
notícias de blasfemas sevícias
batalhas se cruzam sobre corpos da paz
guerreiros nutrem a morte com vísceras vivas nuas
e servem proteínas a abutres senatoriais
hortas ruem enquanto gládios vicejam
da movelaria do abandono vêm apressadas
chusmas de caixões heroicos
e os cemitérios das pátrias prosperam
como a morte de cada dia (e noite no meio)
uiva o covil, o cosmo reclama
a morte brusca dos buracos negros
inocula luz nas frestas mortas
triunfa o rastro racista
no prumo do céu
limos apodrecidas enovelam o barro
e do útero da areia sai o filho do sal.
Faíscas gargalham, chispas golfam dos esôfagos
afogados nas gargantas mecânicas
da sarjeta do soneto sai a ordem inumana
cópias de ideias se espalham como pestes intactas
enquanto a mimese dorme
sono solto e lauto
dos ninhos de Auerbach discursos do tempo (sem decurso)
e se proclama a vitória significante
os músculos do piano de Spinoza
tenso como uma lupa ou um pentâmetro
desperta mônadas vindas do riso de Demócrito
Ao rosto dogmático de Leibnig
os coros magistrais de Bach abaulam órgãos
emocionam naves das catedrais
as incertezas versáteis e o apuro retórico
de Zembrano (a diva e ídola vital)
ecoa na alma como pupila no olhar
a erva se expande com o universo
(hostes de canabis avançam contra o pálido medo dos homens)
o fogo dança (na sala de Falla)
a vida falha, a água mina, o tempo orvalha
agora o urubu de Augusto paira na página.
Ante ourives pasmos sílabas de prata cantam
e hiatos rebelados rasgam palavras
vórtices acesos de vogais farfalham
martelos solitários pregos nauseabundos
idolatram
canis amam-se, menires voltam
ventos solares ameaçam o início de nitrato
as galerias hexagonais dos labirintos de Borges
gritam assustando minotauros senis
e perfídias cretenses, eleatas mandíbulas
estraçalham heráclitos e sofistas
hiatos e acrobatas invadem praças
envergam trapézio, devoram geometrias cruas
as cenas do tempo e da páginas voltam da ribalta
hidráulicas morrem e trompas berram na selva asfaltada
(Esculápio e Falópio se aliam no ápice)
enquanto flautas e ossos avançam nos esôfagos
lesmas correm mais que cágados (ou lépidos pássaros)
ecos vencem rinha de gritos
e séculos sobre a histeria dos homens
se acumulam como pedras intemporais debruçada nos rins de Deus.
Enquanto sobre a alma galopa tristes petardos
de mácula e corrupta manada
de políticos agride pátrias.
{jcomments on}






