06
Seg, Abr

destaques
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Interroga as grades, editais de nervuras de ferro

espalha nos átrios das últimas catedrais

notícias de blasfemas sevícias

batalhas se cruzam sobre corpos da paz

guerreiros nutrem a morte com vísceras vivas nuas

e servem proteínas a abutres senatoriais

hortas ruem enquanto gládios vicejam

da movelaria do abandono vêm apressadas

chusmas de caixões heroicos

e os cemitérios das pátrias prosperam

como a morte de cada dia (e noite no meio)

uiva o covil, o cosmo reclama

a morte brusca dos buracos negros

inocula luz nas frestas mortas

triunfa o rastro racista

no prumo do céu

limos apodrecidas enovelam o barro

e do útero da areia sai o filho do sal.

 

Faíscas gargalham, chispas golfam dos esôfagos

afogados nas gargantas mecânicas

da sarjeta do soneto sai a ordem inumana

cópias de ideias se espalham como pestes intactas

enquanto a mimese dorme

sono solto e lauto

dos ninhos de Auerbach discursos do tempo (sem decurso)

e se proclama a vitória significante

 

 

os músculos do piano de Spinoza

tenso como uma lupa ou um pentâmetro

desperta mônadas vindas do riso de Demócrito

Ao rosto dogmático de Leibnig

os coros magistrais de Bach abaulam órgãos

emocionam naves das catedrais

as incertezas versáteis e o apuro retórico

de Zembrano (a diva e ídola vital)

ecoa na alma como pupila no olhar

a erva se expande com o universo

(hostes de canabis avançam contra o pálido medo dos homens)

o fogo dança (na sala de Falla)

a vida falha, a água mina, o tempo orvalha

agora o urubu de Augusto paira na página.

Ante ourives pasmos sílabas de prata cantam

e hiatos rebelados rasgam palavras

vórtices acesos de vogais farfalham

martelos solitários pregos nauseabundos

idolatram

canis amam-se, menires voltam

ventos solares ameaçam o início de nitrato

as galerias  hexagonais dos labirintos de Borges

gritam assustando minotauros senis

e perfídias cretenses, eleatas mandíbulas

estraçalham heráclitos e sofistas

hiatos e acrobatas invadem praças

envergam trapézio, devoram geometrias cruas

as cenas do tempo e da páginas voltam da ribalta

 

hidráulicas morrem e trompas berram na selva asfaltada

(Esculápio e Falópio se aliam no ápice)

enquanto flautas e ossos avançam nos esôfagos

lesmas correm mais que cágados (ou lépidos pássaros)

ecos vencem rinha de gritos

e séculos sobre a histeria dos homens

se acumulam como pedras intemporais debruçada nos rins de Deus.

Enquanto sobre a alma galopa tristes petardos

de mácula e corrupta manada

de políticos agride pátrias.

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Murilo Gun

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