Tarde após cinza do dia
vespertina sobrevivente em ruínas
à sanha da noite que se aproxima
após meio-dia de lata aborrecida
e luz de pó fuliginosa, como cacto agressiva
tarde para ver mosca da luz
através da veia da vidraça
ou do sangue semovente da barata
tarde que admoesta chaga noturna
sequestra lua
e carrega imo do tugúrio
para longe do anjo bege
tarde que morre imprensada
na espessura árida e invisível do ocidente.
Da superfície do bulbo
arquipélago rasteja
na espumante alfombra
(ou no esôfago de rios sufocados)
em que ao lamaçal de pus
pausa contábil se oferece
como ato de mera humanidade.
Vazio vaso de água atiça seca.
Momentos não existem
todos se decompuseram
depauperados pelo êxtase do instantâneo
os últimos instantes pereceram
súbita e sucessivamente
o mundo perdeu o sentido
zumbis vivem dessentidos.
Música bege tênis e intacta
insinua-se entre tuas coxas e nua
se instala ao arredor da nádega bela
enquanto trêmulos acasos buscam
desate ou inequação do exato
e tudo se vai leve e farto até
tua trêmula nudez (nada dissimulada).
A morte demora a acabar
mesmo quando chega logo
e sem aviso expresso
começa a atuar
para te terminar.
Ah, como os silêncios são dissolutos
as exclamações pontiagudas, os hífens sérios
ah, como as consoantes desmaltrapilham o texto
como sílabas convulsas encantam
porém nada como um hiato de sotaina.
Tudo se dirige, tudo se concentra
todos se ocupam ou promovem
a fragmentação do hímen.
Hímen íntegro e raro e alto.
O hímen é como o nome: só vale inteiro.
A nudez do nome é tal qual
farto vento no monte vênus (também farto).
É ímpio gozar sem o hímen.
O instinto da morte
não dura um instante.
Um lume assim não há, há
sim lâmpada sepulta
vidraça encarnada
zimbório de prata
outubro pálido
cio gélido
gato de lata
lume cálido
engulho e envelope anônimo.
Pelo sim e pelo não, nada.
És, apenas, um pronome: tu.
Eu sou vital.






