Se olhares em frente, pr’alem,
Asinha
A vista perdes
No vale de Santarém
Da Joaninha
Dos olhos verdes.
E o cabaceiro de Samora
Corta a paisagem de hora a hora
E, sempre além,
Vai do castelo de Almourol
Até às Portas do Sol
De Santarém.
Lesírias, toiros, olivais,
Campinas esculturais
No fandango e sapatear.
Santa Iria, junto à ponte
Faz curvar a altiva fronte
Que ali passe sem rezar.
Rebrilha ao sol doirado
A estrela de um pampilho
E o gado tresmalhado
Volta ao trilho.
Janela de Tomar, olhando a grei
Que fez de Aljubarrota seu S.Graal.
Tudo ali fala desse grande rei
Que o povo escolheu para Portugal.
Este é o 9º poema da série Poemas Anônimos portugueses, que desentranha de velhos almanaques que obtive de minha última viagem a Lisboa (Livraria Bertrand) Dedico ao pessoano José Paulo Cavalcanti Filho.






