06
Seg, Abr

destaques
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Se olhares em frente, pr’alem,
Asinha
A vista perdes 
No vale de Santarém
Da Joaninha 


Dos olhos verdes.

E o cabaceiro de Samora 
Corta a paisagem de hora a hora
E, sempre além, 
Vai do castelo de Almourol 
Até às Portas do Sol 
De Santarém.

Lesírias, toiros, olivais,
Campinas esculturais
No fandango e sapatear.
Santa Iria, junto à ponte
Faz curvar a altiva fronte 
Que ali passe sem rezar.

Rebrilha ao sol doirado
A estrela de um pampilho
E o gado tresmalhado
Volta ao trilho.

Janela de Tomar, olhando a grei
Que fez de Aljubarrota seu S.Graal.
Tudo ali fala desse grande rei 
Que o povo escolheu para Portugal.

Este é o 9º poema da série Poemas Anônimos portugueses, que desentranha de velhos almanaques que obtive de minha última viagem a Lisboa (Livraria Bertrand) Dedico ao pessoano José Paulo Cavalcanti Filho.

 

 

 

 

Murilo Gun

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