06
Seg, Abr

destaques
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A materialidade (reificação)

dos signos–palavras–no–poema, via

operações de seleção e combinação

forma o poema (coisa, objeto de palavra):

o poema é algo mais físico que

psicológico. Sólido que não se

desmancha no ar como a prosa

que transmitida a mensagem que veicula

nada resta, senão literatura.

 

A linguagem transparente (destituída

de hermetismo) e transitiva não é poética, é

literária raramente. O é o véu que vela,

não o véu que revela.

 

A emoção, o sentimento fundo, a motivação afetiva, o que eu (poeta) sinta, no momento do poema, a vivência de um estado emotivo, de uma situação lírica, pessoal, íntima ou não, não  geram poemas (não formam, compõem, estabelecem status poético). Pelo contrário, provocam desastres poéticos, bastas lágrimas, das quais nem o sal se aproveita. E tornam ridículo qualquer dito poema advindo de uma situação emotiva, de um êxtase individual, que só interessa ao foro íntimo (ao indivíduo, não a poeta) e a mais nada ou ninguém. Algo para estampar em diário sentimental ou ler em aniversários ou velórios.

Isso, tal comportamento (sou poeta, rimo, meço etc; quando me emociono salta poemas como fagulhas de uma fogueira moribunda) cria uma imagem falsa do que seja poesia. E essa tal (mau) imagem prepondera no Brasil, de norte a sul da alma brasileira, de leste a oeste de nosso espírito logrado.

Um senhor – que não sei se conheço, Nejar, escreveu uma história da literatura brasileira que é uma lástima completa. E espraia bem a falsidade da poesia.

Livre não é o verso, quem está livre é o poeta, sua imaginação solta das cordas métricas e das regras privativas da liberdade espiritual dos fatídicos e fatigosos manuais de versificação.

Farla Rosendo, livre da obediência castradora a regras rígidas que ela estava a aprender (internalizar) ao longo do curso, libertada solta do catecismo metrificante e castrador, num ímpeto, num arroubo de liberdade, seu espírito, sua imaginação criou um poema absoluto, a poesia do indeterminado, de imagens originais, nada discursiva ou descritivistica, apenas poesia.

Cabe a leitor determinar o poema, dar-lhe tema, escolher dentre o rol ou espectro de plurissignificação àquela que o deleite.

 

Murilo Gun

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