06
Seg, Abr

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 Qual Montaigne, afirmo ser este um livro de boa-fé, escrito para mim mesmo, que expressa o íntimo, e o publica.

 Não o move  interesse para  com terceiros ou qualquer outro leitor, ou, melhor, qualquer um que não seja eu mesmo.

À posteridade, U jamais interessaria, porque a minha é vã e ínfima (além de totalmente pessoal).

Detectam-se nesses versos “alguns traços de minhas seduções  e humores”, ou mesmo o caráter de minhas ideias, seus rostos mais secretos, nauseantes fantasias e vilezas próprias de ser humano e vital.

Como não almeje favores hipócritas do mundo e não pretenda alimentar fantasias ignóbeis dos leitores, de possíveis e desastrados leitores que o sequestrem ou aliciem, ou o desviem dos seus ilegítimos fins-e só a mim, o autor, afete com sua canga francesa de afecções. Ué  um livro triste, crasso, ímpio, impudorado, estéril, convicto, desumano, mimético, eslavo. Mas não propano, ou de gás profano,  porque dirigido ao semelhante, e ocasionalmente  a algum qualquer leitor. Numa palavra áscuo.

Poemas neles contidos apenas retratam meus enojados defeitos minhas náuseas cotidianas mais acerbas, granjeados  ao longo de périplos escuros e solitários, pelo o chão prófugo de minha pobre alma vã. Deserto paramo de meu espirito vão ou inútil.

Eis pois, exposta, nua e devassa, a matéria prima do livro, hipócrita leitor ! EU é um livro nu.

Espero que nunca o leias,  a fim de não te assustares com a ferida do reflexo em tua máscara fútil, num ímpeto profano e curioso, bem feminino.

Nem mesmo eu – o idólatra autor, sei se lerei tais poemas, especialmente porque são ilegíveis. Inexpugnáveis de descontextos férteis. Que, provável leitor, faça-se juiz de suas intenções e decida por nunca ler-me, com astúcia e vontade – é o que clamo neste prólogo incontido, ressalvando, no entanto, que qualquer situação, trecho, mementos ou momentos de percepção, beleza, reconhecimento ou ironia, que por acaso, flagrem-se, é mera coincidência, conforme intenção direta do autor: pois é um livro momentoso e iconoclástico.

O futuro póstumo ou a boa memória dos imigos decidirão sobre o montante real do obrigatório encalhe destes míseros 200 exemplares. E objurgatórios preênseis cairão sobre ele.

Não muito obrigado !

 

Murilo Gun

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