Aos ataques especulativos de Soros
às intestinas batalhas do câmbio
aos bazares do obus piramidal
aos indolentes perdizes, cisnes macios
aos eruditos esquivos
aos escravocratas escandinavos
ao lixo
ao cristal que devora íris
e expectora arcos ofereço
estas Diatribes
a Rogério Generoso, poeta porvindo
a Sébastien Joacham, alto literator
Fazer que a palavra seja física
químico ofício do poeta (sua indústria
persistente, matemática, biológica, aturdida)
para que pese cada vocábulo
(e não o embalsame a verdade)
com pinça (e alma) adequada
e fiel balança
pratos sujos
e sem demora deixe
que fólio intumesça
elastecendo sentido
tecendo (além de galos e manhãs) o intestino
do poema
poeta e sua luta
iníqua, íntima, crédula
para que à palavra adira
confissão maldita
medula incompleta
verbo desarvorado
para que palavra se fixe
(em nenhum fio ou prumo)
no que haja de mais movediço possível
(hangar do verbo – de gusa e barro)
poeta perde pudor
lida com palavra de água
entre dedos da lauda
(palavra de cisterna, cacimba, moringa
nunca potável, a do poema - vital).






