Tratos primários, rios intestinos
atmosfera em fúria, decibéis úmidos
elementos revoltos, céus desatados
nuas óticas, vis pudores
rumores desesperados, usinas dissolutas
meses acatapultados dos nichos do zodíaco
causas obesas, alvos rendidos, cosmo ferido
resistências ímpares, épuras rompidas
poema incomedido
expansões se contraindo
contradições explodindo, forças fictas
empinadas quilhas do ar
aplanando o mar da eternidade
fronteiras intemporais
ângulos e átimos das tempestades íntimas
invisível escultor de águas vãs desesperado
correntes de tempo aferradas
a um instante sem data
do ventre de um ditirambo dilacerado arrastadas
pólen de cruzes, urzes de cinzas, eças de fúnebres dourado
que ventos minerais incitam
águas sublevadas de fortalezas desarmadas
selvas estremecidas pelos danos da umidade
o comércio do pó em alta, nuvens despedaçadas
bulbos vociferando entre arrecifes pardos
lixões da alma urbana
expostos a fraturas e remorsos.
Brisa pousada nos lavabos
vanádio devaneando (na tábua)
fauces do amanhecer áspero
auroras abortadas, claridade fera, manhã
oblonga e dolosa, rosas dos dedos fanadas
olhos de congelados azuis
extinção que avança
morte imóvel
metros que parem novas distâncias
mãe violada, árvores do corpo
brilhos do jângal, poema
onde dormem precipícios cansados.






