I
Não basta narrar a morte
nem romanticamente sentí-la
antecipando o escuro espetáculo...
Sou morto, estou vivo e farto
escrevo como um demônio cívico
o íntimo publico sem místicas imóveis
ou intenções escusas e carnais.
Não quero acabar com o juízo de Deus.
Quero preservar o meu poema
de condenações ou burlas absurdas.
Se nada há mais de brotar do sopro
dissolvendo-se... que o fruto cru
da palavra arrebente
a página da alma.
II
O mais... e o menos também
concedo ao delírio verbal.
Se todas as significações
foram bem estabelecidas...
serei o mais estranhado poeta
pois elas não me ultrapassam
permanecem estacionadas na passagem.
O sentido do poema é inexpugnável.
Os sentidos estabelecidos são passados.
Apodreceram. São fiéis sem fé verbal.
É cômico e trágico antecipar o sentido
absoluto do poema, se ele não o traz
ou se o sentido é o poema em si.
III
Do catálogo da lucidez ou de suas sombras
aptas não se extrai nem um poema.
Amo os equinócios e as mulheres
iguais ou insinceras demais.
De elementar náusea nua
e íntima sofre o espírito.
Signos sem ventre, muros de sal
silêncio preserva qual relíquia.
No rosto inelegível do sábado.
Tempo redil das horas ébrias
rebeladas, jângal dos relógios
moles.
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