(À primeira leitora dessa
manhã feia de agosto)
De quando vieram as quimeras?
E os surdos decretos da ilusão
quem levianamente os promulgou?
(Assim o coração com alegria sancionou
a desilusão).
O que moveu os fardos de ira
(contêineres e fortalezas de cólera)
para o interior do coração
– hangar de sangue e músculo
que os recebeu e armazenou no litígio.
(De que nos servem fantasia desatada
e crenças cruas da vida?)
Para onde foram as verdades
que repartimos como pão?
Para o átomo, para a épura, para a areia
do circo
onde o pó bélico e a fome santa comandam
precipício.
Que sonhos argentários
as geraram?
De que fosso, cofre
de que fonte, hospício, morte
quimeras vieram
trazendo a tiracolo Esperança e Utopia?






