06
Seg, Abr

destaques
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Pertenço ao sal, sou a alma do barro

ossos, ombros, fêmures e espírito

doarei à terra quando

a morte navegar-me os olhos

 

quando sobre meu rosto sombra sepultar-se

e verões morrerem

 

quando a morte aportar no corpo, inundar o ser

darei a alma ao sal da terra

voltarei ao cristal, serei safira ou esfera.

 

 Uivando sobre sombras, sobre chamas cantando

continuem engrenagens desesperadas

desengates do que respira e ama

e as moendas do tormento continuem

bosques de náusea e frases

que poetas excomungaram estanquem.

 

Sobre a sombra do sepulcro

alvos ossos de silêncio pairam

 

dos círios áridos cai extrema cera

ultima e triste lava corre dura lágrima

 

mares de pedra cercam o morto (morro)

morte escura sílaba, sol abismo lento

 

centelhas deslizam no amarelo infinito

sono desaba sobre uivos

 

silêncio de sal inocula

em mim rastro de grito longo

 

moinhos de pó, continentes de cinza, só.

(Contêineres de solidão abertos).

 

Murilo Gun

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