Pertenço ao sal, sou a alma do barro
ossos, ombros, fêmures e espírito
doarei à terra quando
a morte navegar-me os olhos
quando sobre meu rosto sombra sepultar-se
e verões morrerem
quando a morte aportar no corpo, inundar o ser
darei a alma ao sal da terra
voltarei ao cristal, serei safira ou esfera.
Uivando sobre sombras, sobre chamas cantando
continuem engrenagens desesperadas
desengates do que respira e ama
e as moendas do tormento continuem
bosques de náusea e frases
que poetas excomungaram estanquem.
Sobre a sombra do sepulcro
alvos ossos de silêncio pairam
dos círios áridos cai extrema cera
ultima e triste lava corre dura lágrima
mares de pedra cercam o morto (morro)
morte escura sílaba, sol abismo lento
centelhas deslizam no amarelo infinito
sono desaba sobre uivos
silêncio de sal inocula
em mim rastro de grito longo
moinhos de pó, continentes de cinza, só.
(Contêineres de solidão abertos).






