06
Seg, Abr

destaques
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Quer sejam palavras naves

transportando sina ébria

de poetas e leitores indevassáveis

por sendas que quilha ensine

por rumos que águas leguem

 

quer citroens de cetim conduzam

carnes a magazines do gozo

quer náilons do orgasmo unjam

vitrines do corpo exposto

a fraturas do nu

a agruras do pejo

quer seda lasciva ardor desperte

e ocultos caminhos devasse sem dó

 

quer úlceras do tédio cresçam

ratos proliferem do ócio

como hera (câncer do muro)

das mansões desertas (da alma)

ou hora abandonada do ser

da imóvel fuga do tempo

para o nada

 

quer palavras aves sejam

levando visão dos homens

além das salas (ou becos)

de bem estar da alma

ou a ilhas sem penélopes de palha

ou a olhos sem narcisos sonâmbulos

de água inacabada ou espelho  partido

enfeitiçados de fluxos falsos da ilusa cútis

 

quer ração de utopia

entupa  espírito

e nutra sono sem vigília

quer manto de carbono

ilumine escombro

e para sempre se crave

no rosto ártico do homem

dor da liberdade

na labareda do nome

 

poesia não abandonará a palavra

mas esfiará corações

afiando neurônios (na lavoura dos anos)

e quânticas mecânicas alimentará

com íntimos átomos da imagética

projetados na página (branca) da alma.

 

Poesia com lírios do onírico

e azul ilusório

além do incolor trânsito do homem penetrará

coração a dentro das coisas.

Murilo Gun

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