Pendula hora
pera do tempo ondula
areia se precipita
da ampulheta fatídica
para veia da vida
linha conforma trânsito
da sina pelos becos da mão
tempo namora estrelas
sopro celeste ecoa
barro aprende a ser.
A Holderlin que num íntimo
átimo lúcido sopro
ante precipício louco
que o tragou
instante antes de penetrar treva
entoou órfico hino à vida plena
uivo à consciência humana rastejando.
Que paire sempre
por pássaros de seda e pedra
ou pela face extrema do homem
essa canção primal e crua
a ressoar sem fim ou cabo
em cada sítio selvagem do espírito
em cada fração sublevada do ser
em cada poema do mundo.






