Vi em meio a folhas noturnas
do jardim selvagem
que o vento bolinava
e o sigilo das estrelas iluminava
a palavra secreta do poema
porque estava solitário e urgente
senti a vanidade de tudo.
Os vãos do vazio eram estranhos
contêineres de solitário vácuo
como ao poeta
bossas de urdume e pedra coral
protendiam.
Além pairava música
entre limites escuros.
Para desastre dos espelhos
rebelião dos reflexos continuou
imagens desabavam
rostos eram de água
eco dos cacos reunia-os
algum narciso, alguma estopa
necessidade de treva juntava-se
à medição dos prantos
(peso das pálpebras era sonoro
como pétalas das rosas)
a clamor do suor reunia
pátio nômade da alma
(ou o ermo em que ela acreditava
com seus olhos de janela).






