06
Seg, Abr

destaques
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Vi em meio a folhas noturnas

do jardim selvagem

que o vento bolinava

e o sigilo das estrelas iluminava

a palavra secreta do poema

 

porque estava solitário e urgente

 

senti a vanidade de tudo.

 

Os vãos do vazio eram estranhos

contêineres  de solitário vácuo

como ao poeta

bossas de urdume e pedra coral

protendiam. 

 

Além pairava música

entre limites escuros.

 

Para desastre dos espelhos

rebelião dos reflexos continuou

 

imagens desabavam

rostos eram de água

 

eco dos cacos reunia-os

algum narciso, alguma estopa

 

necessidade de treva juntava-se

à medição dos prantos

 

(peso das pálpebras era sonoro

como pétalas das rosas)

 

a clamor do suor reunia

pátio nômade da alma

 

(ou o ermo em que ela acreditava

com seus olhos de janela).

 

Murilo Gun

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