Ela ouvia aromas vermelhos
gritando da boca do éter
nos pianos côncavos do céu
tocando abril no trombone da pálpebra
(tuba canora, violino de vespa)
por varas e comarcas ressoando
bebendo o róseo silêncio das pétalas
a salmodiar partículas de preces
recolhidas do adro amaro da alma
entre pulcras películas cobrindo
o púlpito do tímpano (harpa ladrando)
galope a estribo e martelo batido
acossado por ímpios sinos ósseos
sinuosos como sonoras cátedras
de narinas brancas avermelhando-se
(a cosmética da aurora chegando
pós rubros, cremes álvaros reinando
e máscaras cremosas assaltando
o páramo do rosto (o desejo)
da imortalidade facial plena
juventude eterna do capital
(o sonho da produção mundial
todo o produto cosmético bruto
a reluzir nos balanços da náusea).






