06
Seg, Abr

destaques
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Sírius, o cão de Órion
acena do casulo das estrelas
para bosque noturno

onde luz é árida, terráquea.


E a terrena sombra
na falha da relva se espalha
como britadoras assacadas
sobre pedras fraudulentas.

Toco a coroa boreal
a tiara de Ariadne toco
concedo ao poente
seu clamor luciferino.
Transito no espaço morto
semáforo do poema em riste ótico
dioniseando rubendarianamente
baudelaireamente gravitando.

Sempre delineando o tumulto deslindando
(por mais feroz e deformado seja
qual Ducasse de seu cúbico delírio)
do túmulo das estrelas brilho velho extraindo
como purpurina a semear na palavra escura.

No silêncio (quase absoluto) dos intervalos cósmicos
(que são azuis e longos como o tempo que arde)
o som dos olhos semeio (sonar humano)
e da sombra tenaz claridade arranco

estraçalhando silêncio (sua silente palha)
a instaurar na página terrestre o grito
do espírito estagnado aberto a novas
e inesgotáveis aventuras.

Murilo Gun

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