06
Seg, Abr

destaques
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Tez de tênebra, ventre azeviche

velo que noite rasga descobrindo

dos campos do corpo vivos paraísos

e selvagens cadênciais de sinfonias noturnas

pulsando nos seios em vital riste.

 

Lasciva ninfa de estonteante ébano

da ambrosia de teus braços renasço

e da noite diamante do teu corpo enlouqueço

como pluma a desvario do vento

sobre tuas carnes flutuo

e das tramas do teu ventre negro grito

embebedado e puro possuído

de todos os gozos do mundo.

 

Cadenciado odor do teu andar embriaga.

Enlaces de açucena se lançam

por sobre a negra geometria de teu ventre grato.

 

Meu olhar delira

sobre as flores de greda dos teus cabelos

(quando o soltas noite se lança dos lençóis).

 

Animosa carne me adormece

no intervalo dos êxtase supremos

e logo galgar volto luminoso dorso

ereto, alteroso, varonil, agudo

para nova aventura, volúpia nova

e sigo a devoração poço a poço

ébria viagem, itinerária catártico

ao claro e implacável país

de tuas carnes de múltiplas cores.

 

Lascivas acácias brotam do sexo

que litanias de Baudelaire não aplacam.

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Murilo Gun

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