Reflexos ínvios e ecos sutis dormem
no leito nunca virgem da página
ribeiras de sentido abrem
dados do acaso soltos orvalham o ente e o tido
do cofre do significado recolhe
saldo que o silêncio encerra
e o resultado torna-se fortuito.
Escrito na veia ávida um rumor
vale dois relâmpagos.
O poema carrega uma lembrança
ou a clave de um sonho distante
toma a sala da alma
os móveis do espírito balança
com força de levante
e rigor de claridade
com a ceia de uma sonata
atravessada da garganta de uma pergunta
invade o bemol, viola oboés
como um carretel de imagens desenrola a miragem
como um rio invade as margens.






