06
Seg, Abr

destaques
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busco no subsolo das estrelas

astros enraizados acesos

infinitos trancafiados

elos solenes da lua

rua opressa avenidas desmontáveis

lavro nos jardins submersos portos

flor mineral lírios do vento

agrido faces frias com o sol dos dedos

e escuto o silêncio das madrugadas censuradas

e apalpo o ventre das alvoradas ofídicas

e contemplo a lírica

demolição das manhãs

diluo a lua

semeio astros no exato

espaço-trevo

planto gritos no silêncio sonolento

abro a boca do tempo

elasteço o infinito tímido

toco faces anunciadas com dedos eclípticos e administro

os mais sublimes ácidos aos sorrisos

tolho canções colhidas

por mãos átonos mutiladas

trituro os universos da escrivaninha

escatalogo apocalipso teologizo axiomo

vocifero rio rosno rezo e urro

deformo os eleitos minerais ceifados

por mãos amorfas despedaço

poemas nascidos de verbos

cardíacos espalho

aves dentro dos cadeados

falsa fé amordaço

reis usados

guilhotino

rainhas puras

estupro

tronos lavrados

nos alqueires medievais

infertilizo

cetros calados

felicito

admiro

reis postados nos museus modernos

reis mortos sais decompostos

armas de amplidão

eu as detono

atravesso a sede colho nas praias o mar

devoro âncoras e iscas de gusa

aço sou sol serei a noite lorelai eu canto

lavro da treva astros rejuvenescendo

nascentes luas crescentes mordo

colho raízes da luz floração dos lumes

enquanto cresce como espigas puras o agro luar

luas maduras apanho nas noites fúrias noites sem fantasia

sou sal do oceano e sou sonho

a fome devoro

e a fome devorada desmonta

os diques cheios de sede

a sede de amar a sede de viver a sede

fósforo acendo os olhos todas as visões acendo

e os farei urzes na noite espessa

violentas luzes contra pobres sombras

sou sol alucinado

reino na lareira

queimo

o frio conservado das mansões

atávico talho a árvore antepassada

e quebro os lenhos da tradição

chama queimarei a dor pendida dos lábios

a voz dos homens calados

o verbo apagado

eu me sofro sob a dor dos ofendidos

eu me sucumbo sob teus escombros

eu me adormeço na rede dos sonhos náufragos

eu me diluo sob luas lassas

sob céu solutos eu me deliquefaço

mas não sonho os sonhos plásticos dos comprimidos

eu não me esqueço dos caminhos definitivos.

 

Murilo Gun

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