06
Seg, Abr

destaques
Typography
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

 O que ocorreria (de bom ou mal de melhor ou pior) à

poesia brasileira atual (?) se um poeta fosse apresentado

a  um  chanceler?  O  que  desse  encontro  insólito

decorreria?  Será  que  o ministro  de  todas  as  relações

exteriores  (e  Perse  foi  tal)  chancelaria  a  nossa  pobre

poesia, acorrentada à cauda velhíssima – muito além de

arcaica – arcaissíssima do neoparnasianismo brasileiro

resistente,  essa  serpente  incolor  e  de  mandíbulas

gastas... e incisivos falsos?

Eis  o  presente  poétco  brasileiro  juncado  de  tédio

poétco – que precisa passar depressa.

Todo  o meu  desapreço  (fel  e  integral)  dedico  a  tal

poétca superveniente e plena de atraso. Em que Brasil

ainda rime com anil. E real com anal.

Promiscuidades (com as palavras, em primeiro lugar),

vinde a mim, bem verdadeiras!

O acaso é cego. E não há ofalmologista do destno que

resolva tal cegueira oportuna.

“No  racionalismo dos poetas está sempre presente a

nostalgia da loucura” Lêdo Ivo.

Como  é  o  fuir  –  rítmico,  mecânico,  descontraído,

descontnuo,  metafsico,  cartesiano,  quântco,  lógico,

dialétco – da eternidade?

Como é o fuxo (salttante, lento, penoso, horário, ant-

horário) do relógio eterno. Suas catracas são lixentas, os

êmbolos abomináveis ou cautelosos?

 

Passa  o  cortejo  das  palavras  no  teatro  da  página.

Séquito  que  vai  à  alma.  E  volta  –  retorno  vérsico  –  à

página... em forma de deformado poema absoluto.

À velhíssima (viva e resistente) superstção da igualdade

humana.

A tristeza já não é mais ferroviária.

Murilo Gun

Inscreva-se através do nosso serviço de assinatura de e-mail gratuito para receber notificações quando novas informações estiverem disponíveis.
Advertisement

REVISTAS E JORNAIS