06
Seg, Abr

destaques
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Invista nos quanta de sua consciência e não só na física da alma (physics of the

soul)  secular  (proba  porém  pobre).  Faça  o  poema  novo.  Deixe  grassar  em  si  novo

frisson. Renove o espírito. Retire as ataduras do tempo infiel.

A  vital  questão  da  Poesia  Absoluta  consiste  em  confrontar  com  coragem  e

persistência a dualidade: você quer fazer (repetir, melhor) algo  já visto (e cuspido) ou

vai  explorar  novas  possibilidades.  Fazer  o  novo  de  novo.  (Conf.  a  física  quântica

vigente, os objetos –  físicos e metafísicos,  são possibilidades a  sua escolha). Ou  seja,

você – nobre leitora, vai seguir sendo à moda antiga e no casulo – tranquilo mas parco,

do  velho  ego  ou  vai  sair  de  si  (do  calor  do  lar  egoico,  do  recinto  de  seu  coração

mecânico, do  recesso de  seu  íntimo  idiota ou alma  física) e  ir a  explorar  as  imensas

possibilidades de sua alma total? Escolha, relativa poeta! Cada poeta deve arriscar. Por

essa nova e pascalina aposta enveredar. (Poeta no sentido amplo de criador literário).

Saia,  logo, de  sua palavra  grave  (e medida)  grávida de  significados precisos  e

antecipados!  Aborte.  E  crie  um  novo  estado  estético,  renove  o  ser  do  seu  espírito

(antilírico, reparnasiano, antiquado). 

Esse  chamamento  é  vital  à  novapoesia,  poesia  neoposmoderna  (e  mesmo

posneoposmoderna, já), à Poesia Absoluta.

Abandone  suas velhíssimas  (senectas, vencidas) bagagens,  faça, como  fizeram

universitários  do  curso  de  Letras  da  FAMASUL,  extravie  de  propósito  seus  idosos

conceitos  sobre  teoria  da  poética  vigente  hoje  (do  século  XIX),  arquive  toda  a  visão

neoparnasiana  que  o  impingiram  por  anos  a  fio  (cego)  mestres  coagidos  por

anacrônicos currículos; queime, num fogo votivo, dê a chamas iniciáticas, a mais sacra

fogueira,  todos os seus  (ossudos) dicionários de  rimas e  tratados de versificação  (em

especial o de Olavo Bilac e Guimarães Passos, velharia  indolente e nada piedosa) – os

seus, de  seus pais e avós, e... emerja, desse  sagrado  incêndio, desse  fogo  renovado,

desse auto de fé, NOVO!

Inscreva-se,  após  tal  rito,  positivo,  no  Curso  Pound  –  e  Aula  Eliot,  da  poesia

neoposmoderna (sem frescura de hífen), no ESPAÇO ZIZEK – BOOKS, COFFES, DRINKS,

redação do jornal O Monitor e das Revistas PAPEL JORNAL e SINGULAR, além da revista

Única, nº primeiro e último, em edição – de arte e literatura.

Receba os neoconceitos relativos (absolutos) à ecologia da alma e à economia

do  espírito.  Ecologia  advém  da  expressão  grega  OIKOS  (casa,  lugar,  lar,  ambiente,

casulo, páramo) e LOGOS  (conhecimento, ciência): estudo do ambiente físico em que

estamos. Economia: de OIKOS (casa, oca) e Nomos (lei, norma): regras da casa em que

vivemos. Ambos estudos ou conhecimentos contribuem para que sejamos.

Portanto,  economia  etimologicamente  significa  administração  do  nosso  lugar

no cosmo. Ou seja, na Terra, um planetinha – só conhecido um pouco por nós como

larvas encravadas no  interior de um  cadáver  ambulante  cósmico, planetinha  Terra  a

girar, a girar,  sem outro propósito que girar, girar, em  torno de uma minusculazinha

estrela  (sol,  centrozinho  do  sistema  planetário  de  que  nossa  Terrinha  faz  parte),

integrada  essa  estrelazita  –  o  sol,  infimamente  no  âmago  de  uma  galáxia  discreta

chamada Via- Láctea, que, por sua vez, é somentinha uma infimíssima aglomeração de

estrelinhas de um conjunto portentoso de bilhões e bilhões de galáxias, compondo um

aglomerado indescritível de seres cósmicos, corpos celestes, do inimaginável (nem por

Deus) COSMOS, que por  sua vez é um mero grãozinho de areia do conjunto de  toda

areia  do mundo.  Aí,  chegamos  a  Deus.  Venha  a  nós  pois  somos  o  (vosso)  reino  da

palavra, o Verbo de Barro, A poesia.  Escreva  ao  Espaço  Zizek. Aos  cuidados do boss cultural Osman Holanda.

Para  viver,  administramos  esse  lugarzinho  (a  superfície  da  Terra)  para  nosso

bem-estar  físico  (do  corpo).  E  igualmente,  para  ser,  o  administramos  para  o  nosso

bem-estar sutil (do espírito). A consciência do que vivemos numa totalidade que inclua

o ambiente físico externo e interior (intimo) leva-nos a conceituar e considerar bem a

ecologia interior e a economia espiritual.

Murilo Gun

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