Não escrevo para agora.
Nunca para ontem.
(Escrevo porque a página é vazia
ou para completa plenitude do nada).
Não escrevo para a água mas pelo abandono.
Porque não se condecora o temor
com colares de grito escrevo silêncio.
Porque se presenteia a dor
com tiaras agônicas escrevo.
Escrevo porque próximas a agonias estão
máscaras de diadema pútrido.
Não escrevo para agora, para o pó supremo.
Quem sabe eu escreva
para desvario da sombra (de Freud ou Jung)?
Escrevi apenas porque vou morrer






