06
Seg, Abr

destaques
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 a um trago de single single

Do copo de uísque a meio

(duelo de água e malte) florescem cravos

e rosas sem ânimo, flores estéreis

do iluminado cálice dos teus lábios pálidos

(que silêncio habita de parede e treva).

 

Como sal e arruinado sol

estou escuro em meio

à brancura ímpia do abandono.

 

Viola estiolada, urge derramando-se

da boca dos incêndios sou eu

ouro carnívoro devorado

como hóstia de mentiras

(e falsos desvelos)

a beira da verdade é escura, seu fundo sem fim.

 

                                   (O ou(t)ro é o inferno de prata)

 

Força motriz do sal na veia

e do silêncio na alma

me movem ao nada de mim

máquina de vital desânimo

crucial mecânica do espírito viva

luz apunhalada de escura máscara

som abisso, canção violada pelos olhos d’água

marca de coleira férrea da alma

de quem foge da cruz do destino (para o cravo íntimo).

 

O aroma morreu, o que restou de ti

foi um rastro indeciso (ou falso)

de dor acelerando-se (celeuma cordial)

como pegada monstruosa da vida

indiciando o caminho para o fim exato.

 

(07/10/2011)

 

Meus dedos vazados de nada

por entre eles escorre náusea

minhas mãos no patíbulo da prece eretas

em pose de oráculo ou mártir o corpo

a voz inveludosa lacerada pelo letal açoite do silêncio

(de alumínio, lentilha

do átrio da boca pendendo como lombriga do ânus e mácula metálica)

a migalha de uma ladainha

que o lábio despeja com restos de beijo (e vômito avulso).

 

Da tribuna do crepúsculo a alma implora

mais escuro

 

                        a vida perora

                        a hora o sino escora

em favor da morte eloqüente

procrastina a dor, se rebela

contra selvagem disposição do ânimo

em desfazer o poema consentido

de dar à palavra tino.

 

 

Murilo Gun

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