06
Seg, Abr

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Vital Corrêa de Araújo

            A palavra de Osman Holanda reflete sua cultura e sua sensibilidade. Um poema a Garanhuns demonstra um alto fôlego literário de um poeta que põe em causa a história de sua veia e busca o ressoar e a amplitude do rumor do sangue para que se projete na página.Não só a alma de sua cidade, mas a vida do seu povo esplenda, Garanhuns povo e pedra, nome e pássaro, vôo e alto, garoa e fervor.

            É ela que guia a mão do poeta pelos intricados da história, pelas ladeiras do coração e pelas colinas que alimenta o espírito. É Garanhuns que diz: Me amplie poeta, cante-me, arda em mim com teu verso sem fim. Com teu cantar tão alto quanto meu corpo urbano. Em poesia, tudo é forma. O que distingue não é o escancarar da prosa, mas a contenção do verso.

            E Osman Holanda se obriga a ser conciso, ao uso da forma contida do quarteto e do soneto, porque se exime de toda grandiloqüência, renuncia à retórica, para expressar sua visão poética das coisas, do homem, da vida e da sociedade.

            É minimalista como o lirismo exige. Mas Osman não deve continência ao tema, porque ele expande seu sentimento e amor ardoroso a Garanhuns até o ilimite. Percebe-se o estilo literário que caracteriza a escrita poética osmaniana, porque seu verso, sua voz, a maneira e o desiderato de cantar Garanhuns difere dos outros poetas que já o fizeram, graças à singularidade que eiva sua poesia, como na quadra.

            ‘’Do alto do Magano fria solidão

            Por certo não estou só, crucificado

            O Galileu agoniza ao meu lado

            d’outro um ousado latido de cão’’.

           

Outro verso magnífico, este:

            ‘’Da minha mente quadros afrodisíacos

            Roubam os hormônios da pituitária

            Pondo-me em condição igualitária

            A ânsia histérica dos ninfomaníacos’’.

 

A quadra mais votiva, a que gera lágrimas na face alpina de Garanhuns é:

            ‘’De Garanhuns quero o perfume das flores

            Quero a brisa acariciando meu rosto

            O sol de fevereiro, o frio de agosto

            E da primavera seus esplendores.

 

Mordacidade, lástima, decepção com os maus os políticos desarmam-se em catadupas do verso de Osman, e com razão. Assim ele exprime o sentimento geral, ele demonstra o ultraje que acompanha a vida política brasileira, mancha a ser logo lavada.

            Uma doce lascívia, sensualidade sem limite as fronteiras do poema ocupam a nos brindar com versos eróticos, mas de uma eroticidade ao mesmo tempo madeira e juvenil, passional mas sincera.

            Um poema para Garanhuns, que o escritor Manoel Neto Teixeira com acuidade e profundeza prefaciou, apresentando ao privilegiado leitor, é obra audaz e corajosa porque sai da mina de sinceridade de um homem vivido e autêntico e se veste da necessária roupagem artística da literatura para soar e ser obra sensível e nua de frases decorativas.

            Prova disso: Como ex-magistrado, Osman não se peja de clamar contra os poucos que não ativam com a ética. Portanto, louvo este poema porque nele o pensamento de um homem é moldado em forma poética com exímia precisão e alto sentimento.     

            Os três poemas finais constituem um monumento de palavras, um reconhecimento de amor, uma expressão funda de dor aplacada e saudade eternizada. Que o leitor vá às últimas três páginas beber desse manancial de beleza de que a dor é capaz. É nas odes a Sandro Eterno que Osman amadurece seu poema e o leva a extremos de sensibilidade e amor.   

Nota: Publico o posfácio do livro Monólogo Magano (um poema a Garanhuns) do jornalista, escritor, acadêmico, poeta Osman Benício de Holanda Cavalcanti, cujo prefácio é do Presidente da Academia Olindense de Olinda, jornalista, professor e escritor Manoel Neto Teixeira.

 

 

Murilo Gun

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