06
Seg, Abr

destaques
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‘’A morte é dama magna

com boca de graveto árida

e volumoso riso de açucena

seu corpo tem arcabouço de caatinga.

O mar da morte é rápido.’’

 

Rios já acham caminhos

para o coração úmido da terra

suavemente limam a aridez

luz deságua sobre leito de sombra

desavisados escuros soterrando

(torrente de greda alagando a alma)

trazendo seda ao que virá

para rostos quase cegos (o cosmético certo)

e a nudez da acácia para olhos longos.

 

Garças florescem nas margens dos manguezais

quais flores selvagens.

 

Filósofo apascenta o caos

poeta provoca o cosmos.

 

Hóstia de trigo libidinosa

demônios consagra.

 

Pomposas minúcias sãs

são essenciais à vida social.

 

O cortejo do sonho é inconfessável

e a estrada do sono muito esburacada.

 

Nada timbra ou acata seus ardores sujos

nada enoja alma pacata à beira do êxtase.

É aterso, iníquo ou ambíguo

enterro quando o pranto é de um amigo.

(Choramos como fontes

lágrimas a rios inundam).

São hábitos do olvido

histórias de cisnes.

Cada dado cifra

uma aventura iníqua.

Cada rosa foge

do lábio que sobeja.

Cada sábia prédica

morte da paciência anuncia.

Murilo Gun

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