‘’A morte é dama magna
com boca de graveto árida
e volumoso riso de açucena
seu corpo tem arcabouço de caatinga.
O mar da morte é rápido.’’
Rios já acham caminhos
para o coração úmido da terra
suavemente limam a aridez
luz deságua sobre leito de sombra
desavisados escuros soterrando
(torrente de greda alagando a alma)
trazendo seda ao que virá
para rostos quase cegos (o cosmético certo)
e a nudez da acácia para olhos longos.
Garças florescem nas margens dos manguezais
quais flores selvagens.
Filósofo apascenta o caos
poeta provoca o cosmos.
Hóstia de trigo libidinosa
demônios consagra.
Pomposas minúcias sãs
são essenciais à vida social.
O cortejo do sonho é inconfessável
e a estrada do sono muito esburacada.
Nada timbra ou acata seus ardores sujos
nada enoja alma pacata à beira do êxtase.
É aterso, iníquo ou ambíguo
enterro quando o pranto é de um amigo.
(Choramos como fontes
lágrimas a rios inundam).
São hábitos do olvido
histórias de cisnes.
Cada dado cifra
uma aventura iníqua.
Cada rosa foge
do lábio que sobeja.
Cada sábia prédica
morte da paciência anuncia.






