Partituras soterradas no corpo do meio-dia
cânticos ocos, cones sanguinários como galos
assaltam as manhãs, erguem-se dos cofres fálicos
da tarde querubins bêbados
das urzes escuras da noite deuses minúsculos
anunciando novas sarjetas
e o crepúsculo das gargantas
melodias são serpentes barrocas
torcidas ásperas taças cálices silenciosos e úmidos
gestos cegos ou quimeras sem boca, jaulas abertas
gelosias barrocas, ungüentos sinuosos, brancos ditirambos.
Anjos redondos dos capitéis sonham com flautas
nos seráficos domingos acalorados de carolas caladas
destilam árias célicas sustenindo o coração
das criaturas surdas emparedadas no silêncio
sem músicas na alma.
Das formas furiosas das serpentes
às austeras estátuas sonolentas
harmonias de barro e argila do luar alevantam-se
sob a tutela do ocidente o sol morre
amor terreno urge, sorva a ilusão de tê-lo.






