À banalidade das especulações irmãs
metafísicas e bursáteis, me-
talúrgicas e men-
tais me oferto.
Objetos antropofísicos fabrico
e a eles sacrifico
na oficina antropofágica
poesia convulsa, feérica, plena, última.
(o futuro não virá: eis a sentença)
Profeta plúmbeo me ordeno
pedra proferindo escuro
grito encarcerado
na garganta do futuro
deserto perora
orações de areia vento cria
tudo o que seja humano
ao poeta será estranho
(para que ele empobreça com honra
e não o estranhe tempo vivo)
humano é o que industrial seja
comércio, perda, ganho
corpo, alma
tudo é humano
menos o poema.






