Sírius, o cão de Órion
acena do casulo das estrelas
para o bosque noturno
onde a luz é árida, terráquea.
E a terráquea sombra
na falha da relva se espalha
como britadoras assacadas
sobre pedras fraudulentas.
Toco a coroa boreal
a tiara de Ariadne toco
concedo ao poente
seu clamor luciferino.
Transito no espaço morto
semáforo do poema em riste ótico
dioniseandorubendarianamente
baudelairiamente gravitando.
Sempre delineando o tumulto deslindando
(por mais feroz e deformado seja)
do túmulo das estrelas brilho velho extraindo
como purpurina a semear na palavra escura.
No silêncio (quase absoluto) dos intervalos cósmicos
(que são azuis e longos como o tempo que arde)
o som dos olhos semeio (sonar humano)
e da sombra tenaz claridade arranco
estraçalhando o silêncio (sua silente palha)
a instaurar na página terrestre o grito
do espírito estagnado aberto a novas
e inesgotáveis aventuras.






