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Dom, Abr

destaques
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 Sírius, o cão de Órion

acena do casulo das estrelas

para o bosque noturno

onde a luz é árida, terráquea.

 

E a terráquea sombra

na falha da relva se espalha

como britadoras assacadas

sobre pedras fraudulentas.

 

Toco a coroa boreal

a tiara de Ariadne toco

concedo ao poente

seu clamor luciferino.

 

Transito no espaço morto

semáforo do poema em riste ótico

dioniseandorubendarianamente

baudelairiamente gravitando.

 

Sempre delineando o tumulto deslindando

(por mais feroz e deformado seja)

do túmulo das estrelas brilho  velho extraindo

como purpurina a semear na palavra escura.

 

No silêncio (quase absoluto) dos intervalos cósmicos

(que são azuis e longos como o tempo que arde)

o som dos olhos semeio (sonar humano)

e da sombra tenaz claridade arranco

 

estraçalhando o silêncio (sua silente palha)

a instaurar na página terrestre o grito

do espírito estagnado aberto a novas

e inesgotáveis aventuras.

 

Murilo Gun

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