‘’me é concedido ser coração escuro da dor’’
só à vida oferecer lágrimas de mágoa
(ou como montaleanamente diria
porque não oferecer à vida toda
um madrigal de andorinhas
ao invés de um madrugar arguto de ilusão?).
O que não nasce e não morre é o amor
e se escurece, se entocasse ou ardesse
seria porque quem o guia para ninguém
é o desatinado coração do verbo.
A metade vermelha do meu coração dei para quem?
Para leitora difícil que me dê totalmente
a metade de seu coração vermelho também.
Como entreabertas lâminas (o fio reluzindo)
ou escurecidos aromas
como cravos multiplicando-se
(da carne de Cristo)
ou portos arrancados do túmulo marítimo.






