06
Seg, Abr

destaques
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‘’me é concedido ser coração escuro da dor’’

só à vida oferecer lágrimas de mágoa

(ou como montaleanamente diria

porque não oferecer à vida toda

um madrigal de andorinhas

ao invés de um madrugar arguto de ilusão?).

O que não nasce e não morre é o amor

e se escurece, se entocasse ou ardesse

seria porque quem o guia para ninguém

é o desatinado coração do verbo.

A metade vermelha do meu coração dei para quem?

Para leitora difícil que me dê totalmente

a metade de seu coração vermelho também.

 

Como entreabertas lâminas (o fio reluzindo)

ou escurecidos aromas

como cravos multiplicando-se

(da carne de Cristo)

ou portos arrancados do túmulo marítimo.

Murilo Gun

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