Aglomerados de limbo apinhado de culpas
sufocado de gritos imperdoáveis e petições inúteis
carniças à Baudelaire ornamentando podremente
a sala de ampla espera, inútil como um hospital
asperezas e nuances ferozes das horas desumanas
relógio exala nove horas, surdo sino repete
estertor do tempo, o desespero da passagem
ranhuras que cada segundo imprime na alma
coletadas pelos anjos para égide de Deus
certamente arrependido de sua empresa humana
tudo hipócrita leitor descarregue
em forma de pústulas de sentimentos e letras
rasteiras e envergonhadas
através de sonhos leprosos.






