Meditar sobre crueza do aço
sobre férrea beleza do ouro
sobre cones transcendentais
deita o prumo da atenção
vitríolo da vida exibir em procissão púbica
resto de crepúsculo
torso mutilado de primavera
tristeza geométrica
dor algemada a noites
e luzes famintas oferecer aos olhos
imersos em ondas alfas sulfúricas
meditar com hóstias de água sublevada
lembra calabouços (ou sacristias)
como cesta profana
habitas pios lábios
meditar sobre o rosto de Deus
incita a fantasia
(e o futuro).
Com pressa séquito segue
até o desenlace, até a dissolução ansiosa
cobra pelas picadas da cidade espalha
veneno devoto, doença social sinuosa
e prossegue
até o corte
até a morte
até o disforme
e avança até que volte
ao labirinto natal
caos inicial
(o séquito morre, cessa
À beira do céu).
Esta crua meditação
oferto ao tigre e ao cordeiro
do poema anterior
e a leitores desleais
(À primeira leitora dessa
manhã feia de agosto)
De quando vieram as quimeras?
E os surdos decretos da ilusão
quem levianamente os promulgou?
(Assim o coração com alegria sancionou
A desilusão).
O que moveu os fardos de ira
(contêineres e fortalezas de cólera)
para o interior do coração
– hangar de sangue e músculo
que os recebeu e armazenou no litígio.
(De que nos servem fantasia desatada
e crenças cruas da vida?)
Cinzas já estão mortas.
Fênix já não mais importa.
Pesadelo de violino
sobre a perversa avidez
do mundo se abate
sobre silêncio acúleo
grito se deposita
esplende o imóvel cemitério
sobre o rosto das crianças mortas
lua goteja indiferença.
Para onde foram as verdades
que repartimos como pão?
Para o átomo, para a épura, para a areia
do circo
onde pó bélico e fome santa comandam
precipício.
Que sonhos argentários
as geraram?
De que fosso, cofre
de que fonte, hospício, morte
quimeras vieram
trazendo a tiracolo Esperança e Utopia?






